Leitura & livros

vintage old Books of famous Russian writers, Lermontov, Tolstoy and Pushkin

Não me considero um grande leitor. Na época da faculdade, lia bastante – eram épocas pré-internet -, mas depois veio um grande hiato que, de certa forma, só se encerrou por agora.

Pois agora reencontro o prazer de ler. E me surpreendo como tanta coisa pode sair de um livro, tantas experiências, tantos pensamentos, encontros e desencontros com um autor ou personagens. As vezes sinto que encontrei, num livro, meus iguais, meus correspondentes. Aqueles a quem eu gostaria de ter por perto, e que, com o livro, ‘quase’ tenho.

Obviamente, um livro não substitui uma pessoa, e talvez isso explique porque só agora – quando me sinto mais abastecido no aspecto pessoal – a leitura ressurgiu como um prazer (diferente de antes, quando era uma necessidade).

***

Olho para a minha pequena biblioteca com certo deleite, imaginando e saboreando antecipadamente os livros que vou ler ou reler. Certas obras condensam anos de vida e experiência de um autor. Como não se surpreender, como não aproveitar, uma troca tão vantajosa?

Desse ponto de vista é surpreendente o contraste entre a literatura e a internet. Ao menos na minha experiência, a internet está colada ao passageiro, ao instantâneo, ao agora, enquanto os livros vivem nesse “tempo sem tempo” onde ocorrem as coisas boas.

Ninguém olha pro relógio quando está vivendo uma coisa deliciosa. O tempo passa, é claro, mas não é importante.

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Sei que é possível ter outra relação com as redes, e ler ali os mesmos livros que tenho, e muitos mais. Mas como dizia para um paciente esses dias, a internet parece fazer todo o trabalho pra mim. Ela me apresenta tudo pronto, tudo resumido, tudo fácil. E se algum trabalho me é poupado nesse processo, também algo de mim mesmo me é retirado.

Não gosto disso. Gosto de me colocar nas coisas que faço. Acho que isso é parte do prazer que encontramos nelas. Os meus resumos de livros são bons, entre outras coisas, por serem meus. Ninguém precisa concordar com isso, é claro, mas não posso deixar de perceber que as coisas são assim para mim.

E o modo como as coisas são, para mim, são importantes.

(Ao menos para mim ;D).

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