Mulheres e pedreiros

Não sei como é em outros lugares, mas na minha cidade existe uma “tensão” entre mulheres e pedreiros. Esses últimos são conhecidos por mexer com as mulheres que passam, sem dó nem piedade. Basta uma mulher se aproximar, e lá vem cantadas e comentários os mais esdrúxulos.

O estranho é que, quando paramos pra analisar a situação, é muito improvável que alguém vá se sentir seduzida por cantadas do tipo: “Ô, lá em casa!”. Ou seja, elas não são efetivas.

No entanto, os homens parecem gostar desse tipo de frase.

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Há outro exemplos (infelizmente…). Os homens são pródigos em exemplos ruins de “como falar com uma mulher”. Lembro da minha juventude, onde tentávamos aprender frases prontas para falar com as meninas, como se elas fossem seres de outro planeta. O que acontece aqui, afinal?

Como em muitas situações, o que acontece é justamente o que parece acontecer: as cantadas, pelo menos aquelas feitas por homens adultos, são realmente feitas para mostrar para os homens. Ou seja, elas não objetivam seduzir a mulher.

O homem quer, por um lado, expressar seu tesão, sua sexualidade; por outro lado, quer mostrar para os “comparsas” que ele não tem medo da mulher.

Opa, como assim, “medo”?

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Aqui entramos com um pouco de psicanálise e Jung. Através da psicologia profunda, ficamos sabendo que é comum o homem temer a mulher. Todo homem, quando bebê, já foi dominado por uma delas, e isso deixa marcas.

Assim, ao crescer, o homem se encontra sempre numa situação paradoxal: ele deseja a mulher, quer conquistá-la, mas também a teme.

Esse temor se enraíza na experiência infantil, e costuma ser inconsciente. Mas ele está lá, e atua. É ele que ajuda a explicar porque, afinal, os homens são tão agressivos em suas tentativas de aproximação com o sexo oposto.

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No fundo, eles ainda estão com medo. E ao lançarem suas cantadas sem pé nem cabeça, é como se eles mostrassem para os seus pares: “olhem, vejam como eu trato aquele ser perigoso! Vejam como eu sou forte”…

Como um caçador cutucando uma onça, ele quer convencer os outros, e a si mesmo, de que consegue “dominar” a situação. Ou seja, é ainda uma marca daquela antiga experiência de ser dominado, que, nos casos mais graves, ainda não sarou.

Todo homem que é masculino demais – hoje dizemos “masculino tóxico” – no fundo está com dificuldades de lidar com suas experiências de submissão – normal! – ao feminino.

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Assim, senhoras, sempre que receberem cantadas sem fundamento, lembrem-se de que, no fundo, alí está sendo pago um tributo ao poder feminino. É o medo, no homem, o que o faz agir assim, por mais cheio de si que ele pareça.

É isso que ele quer, mesmo, afinal: parecer cheio de si, parecer intrépido, sem medo. Mas, como se dizia antigamente: “casa boa não precisa propaganda” –

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