O milagre grego

A época dos gregos é conhecida e reverenciada como um modelo, uma época ideal. Cada um vê nela um motivo para tanto, seja o ideal político – a “verdadeira” democracia – seja um ideal trágico – a “verdadeira” arte trágica – seja, ainda, um ideal filosófico.

Certamente, foi uma época cheia de epitomes, e não à toa muita coisa de hoje ainda se refere àquele tempo.

O que estaria na base, no começo dessas conquistas todas, é um mistério. Geralmente se cita a economia, a política, ou até a filosofia. Mas eu nunca havia pensado que a religião também poderia estar entre essas “origens”.

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Porque não? O fato histórico é que a democracia surge, entre eles, num momento extremamente liberal, em termos de religião.

Entre nós, ao contrário, a política surgiu como uma reação à religião (o exemplo da URSS deixa isso bem claro).

É interessante pensar que tudo aquilo que veneramos, na Grécia antiga, pode estar relacionado, no fundo, à sua religiosidade: os mitos eram parte do pensamento religioso, e foram parte da fundação da filosofia, que por sua vez derivou na política…

Porque não? Para nós, é difícil admitir isso, porque nós recalcamos nossa espiritualidade. Estamos longe de sermos neutros em nossa apreciação do passado.

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Não é impossível, afinal, que toda nossa política seja uma forma deturpada de religião. Para ela dirigimos, bem ou mal, nossos anseios de uma “vida melhor”.

Por mais que essa vida melhor seja (idealmente) construída AQUI, o ideal, enquanto tal, ainda vive num outro plano – como todo ideal. O plano da esperança.

E esperança é religião –

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