Ensinar. Aprender. Esperar.

Todo aquele que ensina deve se perguntar, vez ou outra, se está sendo verdadeiramente ouvido. A resposta, na maioria das vezes, será um sonoro NÃO – ou, ao menos, um “não exatamente”.

Porque cada um vai ouvir, do que dissemos, aquilo que ele mesmo está pronto pra ouvir – talvez procurando, talvez tateando já, mas ainda sem palavras. Então emprestamos nossas palavras a ele, e ele “aprende”. Na verdade, apenas completamos um circuito que já estava em funcionamento.

Na educação, na vida e pra fazer um bolo, algumas coisas levam tempo, e não basta subirmos o forno a 1000 graus; as coisas tem o tempo delas pra acontecer. Boa parte do “saber ensinar”, então, tem a ver com saber… esperar.

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Nos meus “sonhos molhados” sobre educação, às vezes lembro de um tempo – nem faz muito, uns 200 anos atrás – onde ainda existia uma preocupação, uma busca do professor adequado, que poderia ensinar às crianças algo que, a depender do professor, seria até uma honra, um privilégio.

Que diferença quando vemos nossa situação atual, onde nem o professor quer dar aula pras crianças, nem as crianças se interessam pelo que vão aprender!

A questão reside, creio eu, no valor do saber: o saber foi desvalorizado, à medida que se o padronizou em “caixinhas prontas”, acessíveis em qualquer escola.

Hoje, nos destacamos na nossa capacidade de fomentar a ignorância, é certo, mas faz tempo já que “saber” não faz diferença nenhuma pra ninguém.

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O valor do saber precisa ser, primeiro, moral: é preciso sabedoria para valorizar o saber em primeiro lugar.

Logo, nosso descaso com o saber é uma questão cultural. Não se resolve – embora possa melhorar – com mudança nos conteúdos ou professores.

Essa sabedoria, nela mesma, precisa ser, também, valorizada. E nisso vai um pouco de autoridade. Pois a forma mais tradicional de sabedoria é a da idade; é o mais velho, o mais experiente. É preciso que a comunidade valorize o sábio, para que o sábio então valorize a cultura.

Mas nós valorizamos a criança. E abandonamos os mais velhos à uma morte pior do que a morte: ao descaso; à inutilidade.

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Isso é um retrato de onde está nossa educação.

2 Respostas para “Ensinar. Aprender. Esperar.

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